CASO: Josberto, profissional com grande capacidade produtiva, quando
consegue chegar ao trabalho, [Quando consegue??]. Isso mesmo! Quando consegue
chegar. Ele possui um pequeno problema de perda da hora, quando não, da manhã
inteira. Isso sempre acontece misteriosamente após ele tomar umas biritas na
noite anterior.
SOLUÇÃO:
1 – DESCREVENDO O PROBLEMA.
Aproximação, com abordagem sutil:
- Sr. Josberto, tudo bom?
- Tudo bom. E com o senhor?
- Tudo bom! Vamos para a minha
sala. Preciso que você tome consciência de um problema. [Até aqui, apenas
emoções autênticas]
- Claro, claro! Vou reunir umas
informações e já ligo no seu ramal. Na ligação, combinamos uma data e um
horário para que eu volte a ligar e na segunda ligação marcamos uma conversa. [Utilizando
o método Enevoar, também conhecido como vazelinol.]
- (Ô, meu filho! Não seqüestre a
minha paciência...) Eu tenho uma idéia melhor! Você escolhe AGORA uma daquelas
duas portas: RH ou Diretoria. O que você acha?
Já na sala da diretoria...
[Nossa! Quanta ansiedade! Alguém,
por favor, informe ao seu Justo que ele foi acometido por um disfarce de
emoções. Deixou até a flexibilidade de lado. Eles estão reiniciando o
diálogo...]
- Olha aqui, seu animal! [Eu
disse diálogo?] Já estou sabendo que essas suas faltas não só existem, como são
sempre precedidas de uma noitada regada na loirinha, na branquinha e, em alguns
casos, rola até um grupal entre você, loirinha, branquinha e sei lá mais que
tipo de bebida você derrama nessa sua boca mole. [Se isso aqui não é descrever
o problema...] Portanto! Não me venha com conversa fiada, porque eu tenho
empatia suficiente pra sacar que você só está tentando me fazer de otário. Eu
tenho cara de otário seu Josberto?
- Não, senhor! [Resposta coerente].
2 – CHEGUE A UM ACORDO QUANTO AO
PROBLEMA.
- Somos adultos, temos abertura,
então vamos trabalhar juntos. Pense comigo: Você tem um problema, e se não
corrigi-lo de IMEDIATO, está FERRADO nessa empresa, concorda?
- Sim, claro, Senhor.
- Ótimo! É sempre bom chegar ao consenso
de forma tranqüila. [Eu diria até... afável!]
3 – JUNTOS, ENCONTREM UMA
SOLUÇÃO.
- Alguma idéia de como acabar com
essa palhaçada? Seu pinguço!
- Senhor... eu posso tentar... er...
- Você está brincando com a minha
cara!? Eu perguntei se TINHA alguma idéia, não que eu iria considerá-la! Não
consegue nem chegar no horário, quanto mais sugerir alguma coisa. Limite-se a
balançar essa atordoada cabeça em sinal positivo e rezar para eu não arrancá-la
com um tabefe!
[Parece uma comunicação mais para
agressiva. De qualquer forma, pela quantidade de vezes que ele balançou a
cabeça, creio que entendeu bem a mensagem]
- É o seguinte, em nome da minha reputação de dirigente
gentil e que tem habilidade no trato com a pessoa humana, irei fazer uma
concessão. Lhe darei duas opções para a solução do problema: Primeira! Você
chega todos os dias impreterivelmente antes das oito horas, pronto para
trabalhar e com um sorriso meigo no rosto.
- Er... qual a ... segunda? [Temos
um caso de inconsciência aqui? Medo para menos?]
- A segunda?! Bem... olhando ali
pela janela, o senhor consegue ver aquela antena parabólica, ali no alto da
silhueta daqueles prédios longínquos? [A silhueta era tão turva que não dava para
perceber onde começava um prédio e onde terminava o outro]
- Sim, sim Senhor! [Não esqueceu a
balançadinha de cabeça – esse cara é bom de feed-back – sinto uma comunicação de
alta performance!]
- Muito bem! Consegue ver também
a antena que está uns vinte quilômetros mais afastada, modelo antigo, com umas
barras roliças de ferro, estilo espinha de peixe?
- Desculpe, senhor... er... essa eu não consigo ver.
- Ótimo! Era onde eu queria
chegar... a segunda opção é você, NÃO SÓ VÊ-LA, como vê-la em detalhes, porque
eu vou dar um pontapé tão seguro nesse seu traseiro raquítico que, além das
suas próximas gerações nascerem com fobia acentuada de atraso e um perceptível
afundamento na bacia, o senhor vai ficar tão energicamente engatado naqueles
ferros que levarão uns quinze dias para retirá-lo. [Fobia = Disfarce! Medo para
mais. Aliás, alguém precisa mostrar aqueles vídeos inspiradores sobre a
natureza humana para esse cara] O senhor entendeu as alternativas, seu
Josberto?
- Claro, senhor!
- O senhor já escolheu?
- Sim, senhor! A primeira, seu Justo...
e agradeço sua consideração. [Ele não é doido! Com um bicudo desse calibre os
Egos pai, adulto e criança iam se misturar de tal forma que o cara ia amanhecer
todos os dias gritando: Josberto, vá estudar! Dois mais dois. Dois mais dois. Já
sei! Ixe! Que vontade de chorar. Buáaaaa!]
4 – CHEGUE A UM ACORDO QUANTO AO
PLANO DE AÇÃO.
- Considero que sua participação
nesse momento é de vital importância. Vamos elaborar aqui, a quatro mãos, o seu
plano de ação, que chamaremos de “2PR - Projeto Pinga Regrada”. Alguma sugestão
para as ações do 2PR? Ok! Vamos ao plano... ação UM... o seu ciclo de noitadas vai
iniciar na sexta feira, após o expediente e terminará aos sábados [Zeca-feira
vai ficar para o próximo emprego], o domingo, como manda minha religião, será
para o seu descanso. Evite pegar sol. Tome muito suco natural, sem álcool!
Alimente-se muito bem, com verduras e carne branca de boa qualidade ... DOIS...
coloque o seu relógio, celular, galo de briga, papagaio, sogra, ou seja lá o
que for, para despertá-lo em um horário adequado... vou sugerir aqui... 3:30 da
madruga [Nossa! Que generoso! Ainda colocou meia hora de lambuja para aquela brincadeirinha
perigosa do “mais cinco minutos”] ... TRÊS... pegue seu carro, ônibus, jegue,
urubu-correio, tapete voador ou qualquer outra coisa que o transporte para essa
empresa e garanta a sua chegada quinze minutos antes das oito. Combinado?
- ... [Só deu para perceber as
balançadinhas de cabeça, as engolidas secas foram bem discretas. A comunicação pode
ser mais passiva do que isso?].
- Me sinto alegre em poder contar
com a sua compreensão e participação para solucionar esse problema. [Essa alegria me parece bem básica, nada muito
exagerado. Voltamos aos estados autênticos].
- Obrigado, seu Justo!
5 – ACOMPANHAMENTO.
- Para finalizar. Cinco para as
oito eu passarei pelo corredor e olharei contente para a sua mesa, observando o
senhor, que estará eufórica, atenta e freneticamente manipulando o teclado do
seu micro. Tudo bem?
- Claro, claro! Em sinal de
respeito acenarei cordialmente.
- Ficou maluco!!?? Mantenha suas
mãos no teclado, seu animal! Assim saberei que estou contando com sua produtividade.
Esse negócio de respeito é coisa que conquistamos com sensibilidade e uma boa
relação humano-profissional. Nisso, eu me garanto!