terça-feira, 3 de novembro de 2015

ADMINISTRANDO EMOÇÕES PARA RESOLVER CONFLITOS

CASO: Josberto, profissional com grande capacidade produtiva, quando consegue chegar ao trabalho, [Quando consegue??]. Isso mesmo! Quando consegue chegar. Ele possui um pequeno problema de perda da hora, quando não, da manhã inteira. Isso sempre acontece misteriosamente após ele tomar umas biritas na noite anterior.

SOLUÇÃO:

1 – DESCREVENDO O PROBLEMA.

Aproximação, com abordagem sutil:
- Sr. Josberto, tudo bom?
- Tudo bom. E com o senhor?
- Tudo bom! Vamos para a minha sala. Preciso que você tome consciência de um problema. [Até aqui, apenas emoções autênticas]
- Claro, claro! Vou reunir umas informações e já ligo no seu ramal. Na ligação, combinamos uma data e um horário para que eu volte a ligar e na segunda ligação marcamos uma conversa. [Utilizando o método Enevoar, também conhecido como vazelinol.]
- (Ô, meu filho! Não seqüestre a minha paciência...) Eu tenho uma idéia melhor! Você escolhe AGORA uma daquelas duas portas: RH ou Diretoria. O que você acha?
Já na sala da diretoria...
[Nossa! Quanta ansiedade! Alguém, por favor, informe ao seu Justo que ele foi acometido por um disfarce de emoções. Deixou até a flexibilidade de lado. Eles estão reiniciando o diálogo...]
- Olha aqui, seu animal! [Eu disse diálogo?] Já estou sabendo que essas suas faltas não só existem, como são sempre precedidas de uma noitada regada na loirinha, na branquinha e, em alguns casos, rola até um grupal entre você, loirinha, branquinha e sei lá mais que tipo de bebida você derrama nessa sua boca mole. [Se isso aqui não é descrever o problema...] Portanto! Não me venha com conversa fiada, porque eu tenho empatia suficiente pra sacar que você só está tentando me fazer de otário. Eu tenho cara de otário seu Josberto?
 - Não, senhor! [Resposta coerente].

2 – CHEGUE A UM ACORDO QUANTO AO PROBLEMA.

- Somos adultos, temos abertura, então vamos trabalhar juntos. Pense comigo: Você tem um problema, e se não corrigi-lo de IMEDIATO, está FERRADO nessa empresa, concorda?
- Sim, claro, Senhor.
- Ótimo! É sempre bom chegar ao consenso de forma tranqüila. [Eu diria até... afável!]

3 – JUNTOS, ENCONTREM UMA SOLUÇÃO.

- Alguma idéia de como acabar com essa palhaçada? Seu pinguço!  
- Senhor...  eu posso tentar... er...
- Você está brincando com a minha cara!? Eu perguntei se TINHA alguma idéia, não que eu iria considerá-la! Não consegue nem chegar no horário, quanto mais sugerir alguma coisa. Limite-se a balançar essa atordoada cabeça em sinal positivo e rezar para eu não arrancá-la com um tabefe!
[Parece uma comunicação mais para agressiva. De qualquer forma, pela quantidade de vezes que ele balançou a cabeça, creio que entendeu bem a mensagem]  
 - É o seguinte, em nome da minha reputação de dirigente gentil e que tem habilidade no trato com a pessoa humana, irei fazer uma concessão. Lhe darei duas opções para a solução do problema: Primeira! Você chega todos os dias impreterivelmente antes das oito horas, pronto para trabalhar e com um sorriso meigo no rosto.
- Er... qual a ... segunda? [Temos um caso de inconsciência aqui? Medo para menos?]
- A segunda?! Bem... olhando ali pela janela, o senhor consegue ver aquela antena parabólica, ali no alto da silhueta daqueles prédios longínquos? [A silhueta era tão turva que não dava para perceber onde começava um prédio e onde terminava o outro]
 - Sim, sim Senhor! [Não esqueceu a balançadinha de cabeça – esse cara é bom de feed-back – sinto uma comunicação de alta performance!]
- Muito bem! Consegue ver também a antena que está uns vinte quilômetros mais afastada, modelo antigo, com umas barras roliças de ferro, estilo espinha de peixe?
- Desculpe, senhor... er...  essa eu não consigo ver.
- Ótimo! Era onde eu queria chegar... a segunda opção é você, NÃO SÓ VÊ-LA, como vê-la em detalhes, porque eu vou dar um pontapé tão seguro nesse seu traseiro raquítico que, além das suas próximas gerações nascerem com fobia acentuada de atraso e um perceptível afundamento na bacia, o senhor vai ficar tão energicamente engatado naqueles ferros que levarão uns quinze dias para retirá-lo. [Fobia = Disfarce! Medo para mais. Aliás, alguém precisa mostrar aqueles vídeos inspiradores sobre a natureza humana para esse cara] O senhor entendeu as alternativas, seu Josberto?
- Claro, senhor!
- O senhor já escolheu?
- Sim, senhor! A primeira, seu Justo... e agradeço sua consideração. [Ele não é doido! Com um bicudo desse calibre os Egos pai, adulto e criança iam se misturar de tal forma que o cara ia amanhecer todos os dias gritando: Josberto, vá estudar! Dois mais dois. Dois mais dois. Já sei! Ixe! Que vontade de chorar. Buáaaaa!]

4 – CHEGUE A UM ACORDO QUANTO AO PLANO DE AÇÃO.

- Considero que sua participação nesse momento é de vital importância. Vamos elaborar aqui, a quatro mãos, o seu plano de ação, que chamaremos de “2PR - Projeto Pinga Regrada”. Alguma sugestão para as ações do 2PR? Ok! Vamos ao plano... ação UM... o seu ciclo de noitadas vai iniciar na sexta feira, após o expediente e terminará aos sábados [Zeca-feira vai ficar para o próximo emprego], o domingo, como manda minha religião, será para o seu descanso. Evite pegar sol. Tome muito suco natural, sem álcool! Alimente-se muito bem, com verduras e carne branca de boa qualidade ... DOIS... coloque o seu relógio, celular, galo de briga, papagaio, sogra, ou seja lá o que for, para despertá-lo em um horário adequado... vou sugerir aqui... 3:30 da madruga [Nossa! Que generoso! Ainda colocou meia hora de lambuja para aquela brincadeirinha perigosa do “mais cinco minutos”] ... TRÊS... pegue seu carro, ônibus, jegue, urubu-correio, tapete voador ou qualquer outra coisa que o transporte para essa empresa e garanta a sua chegada quinze minutos antes das oito.  Combinado?
- ... [Só deu para perceber as balançadinhas de cabeça, as engolidas secas foram bem discretas. A comunicação pode ser mais passiva do que isso?].
- Me sinto alegre em poder contar com a sua compreensão e participação para solucionar esse problema.  [Essa alegria me parece bem básica, nada muito exagerado. Voltamos aos estados autênticos].
- Obrigado, seu Justo!

5 – ACOMPANHAMENTO.

- Para finalizar. Cinco para as oito eu passarei pelo corredor e olharei contente para a sua mesa, observando o senhor, que estará eufórica, atenta e freneticamente manipulando o teclado do seu micro. Tudo bem?
- Claro, claro! Em sinal de respeito acenarei cordialmente.

- Ficou maluco!!?? Mantenha suas mãos no teclado, seu animal! Assim saberei que estou contando com sua produtividade. Esse negócio de respeito é coisa que conquistamos com sensibilidade e uma boa relação humano-profissional. Nisso, eu me garanto!

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